O Ator e a Intuição

 

 

“Um ator quando entra em ação, seja no Teatro, no cinema ou na TV, precisa estar atento ao seu estado intuicional para que a cena aconteça de verdade. O tempo todo que o ator ensaia e decora seus textos, está treinando seu corpo mental.

 

O tempo todo que o ator procura sentir os sentimentos daquela personagem que será incorporada está buscando no seu corpo sua memória emocional.

E então chega o grande momento da sua cena, e neste momento se o ator estiver preso no seu ego, no seu emocional, preocupado com a platéia, se vão gostar ou não, preocupado se está bonito em cena, ou mesmo preso no mental, preocupando-se com as marcações, com o texto que não está bem decorado, etc. Ele não conseguirá fazer um bom trabalho.

 

O ator que leva a platéia ao delírio é aquele que vivencia de verdade a sua cena. Fazendo uma expansão da sua consciência naquele momento. E entrando num estado intuicional.

 

Se a intuição do ator estiver completamente aflorada, aquele ator já saberá exatamente o que fazer em cena. O texto deve ser parte do ator. Deve estar tão decorado e assimilado em seus estudos, que não deve requerer qualquer preocupação. As emoções já estarão treinadas, e brotarão naturalmente. O trabalho corporal será exercido através da memória corporal esculpida nos ensaios. A dicção do ator poderá ser melhorada através das vocalizações de sons e ultrassons durante os ensaios. O direcionamento dos acontecimentos em cena será extremamente ensaiado pela direção do espetáculo, ou da obra televisiva ou cinematográfica em questão. Portanto na hora de entrar em cena, o ator irá esquecer-se de tudo isso. E simplesmente não irá pensar.

 

A parada do pensamento levará o ator para um estado expandido de consciência e concentração. O estado intuicional. Isso não quer dizer que o ator não estará atento em tudo que acontece na cena. Muito pelo contrário. Ele simplesmente sabe. Sem racionalizar nada. O ator terá ainda mais consciência caso o colega esqueça o texto ou a marcação, para poder salvar a cena. Pois estará entregue ao personagem. Vivenciando cem por cento a situação proposta. Através do Método, o praticante compreenderá totalmente a atuação de seus corpos. Pois será a tomada de uma enorme consciência. Um Universo de conhecimento totalmente novo.

 

O praticante começa por dominar seu corpo físico denso, através das técnicas corporais fortes. E isso já é o primeiro passo para o ator desenvolver um trabalho corporal intenso e transformador. Seu corpo falará muito mais em cena. Pois não agirá só. Estará imerso em um profundo conhecimento milenar, sabendo-se exatamente aonde concentrar a sua mente na atuação corporal. São mais de duas mil e trezentas técnicas corporais, que preparam o corpo através de isometria, permanência.

A respiração será trabalhada como algo muito mais profundo do que uma simples respiração. São mais de cinqüenta e oito técnicas respiratórias que proporcionarão ao ator uma melhoria também do seu trabalho energético em cena.

 

Através da respiração, o ator conseguirá alterar seu estado emocional de uma forma consciente. Conseguirá reduzir ou aumentar batimentos cardíacos. Conseguirá se tornar mais extroversor ou introversor. Conseguirá controlar as dispersões mentais. Controlar o nervosismo inicial de um teste, ou de ver uma platéia lotada num dia de estréia, por exemplo.

 

Através das técnicas de purificação das mucosas, o ator conseguirá limpar o seu corpo, desintoxicando-o. A desintoxicação neste caso é essencial, pois o ator precisa retirar os detritos tóxicos que são produzidos por emoções pesadas.

 

Imagine uma cena de ação ou drama, onde o ator teria que representar algo muito ruim acontecendo. E ao sair daquela cena, ao sair da personagem, o coitado do ator manteria em seu corpo físico aqueles detritos tóxicos que o alimentaram, as emoções pesadas... O ator levaria para sua casa e para sua vida, dores nas costas, dores de cabeça, ansiedade, pressão, stress e nervosismo. Esta limpeza deve ser feita sempre. Pois os seres humanos se alimentam através dos seus sentidos. Tudo que nós vemos, sentimos, ouvimos, respiramos, tocamos, sentimos, amamos ou odiamos, alimentam os nossos corpos. Devemos cuidar mais também da nossa alimentação. Afinal, nós somos o que comemos. Se um ator se alimenta mal, vai excretar mal, vai ficar enfezado “literalmente”, vai produzir desconfortos no seu corpo físico, atrair doenças, entre outras coisas. A alimentação deve ser condizente com a filosofia de vida que o ator optar para ser a sua filosofia”

 

 

Thais Barbeiro

 

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